BNDES busca democratizar acesso ao crédito para MPMEs mineiras
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) visa se aproximar das micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) para democratizar o acesso ao crédito do banco para além das grandes empresas, mais preparadas tecnicamente para conseguir um empréstimo do banco de fomento. Por isso, a instituição apresentou nesta terça-feira (5/5) uma “oficina de crédito” na sede da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), em Belo Horizonte.
Técnicos do banco de desenvolvimento apresentaram soluções de crédito e instrumentos de garantia voltados às MPMEs, além de rodada de negócios e atendimentos empresariais.
Presente no evento “Mais Perto de Você – Minas Gerais”, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante (PT), afirmou que o banco tem realizado essa aproximação regional em alguns estados para educar o empresariado em relação ao acesso às linhas de financiamento do banco estatal, seja na forma de apresentar um projeto, os prazos, as condições, e a elegibilidade para cada uma das linhas.
Em Minas Gerais, Mercadante destacou que o apoio do BNDES cresceu fortemente nos últimos três anos, tanto em consulta, quanto em aprovação e desembolso de crédito. O crescimento consistente em diversos setores da economia no estado anima o banco de desenvolvimento a olhar para novos horizontes, com vista à expansão da pauta exportadora.
“Esse investimento em infraestrutura que estamos fazendo, sobre as grandes estradas, vai reduzir custos, aumentar a eficiência, competitividade, porque como é um estado que não tem acesso ao mar, o custo de transporte é maior. Precisa aumentar produtividade e eficiência logística para aumentar a competitividade. Vem agora um ciclo de investimento muito grande em ferrovia, que também reduz muito o custo da produção e da exportação, então estamos bastante otimistas em relação a Minas”, disse Mercadante.
O presidente em exercício da Fiemg, Emir Cadar Filho, apontou o apoio do banco como essencial para a indústria em tempos de uma taxa básica de juros (Selic) historicamente alta. Atualmente em 14,50% ao ano (a.a.) e acima dos 10% a.a. desde 2022, a Selic encarece o crédito para a indústria e contribui para estagnar o crescimento do setor.
As taxas mais competitivas das linhas do BNDES, a depender do tipo de projeto desenvolvido pelas empresas, são, segundo o presidente da Fiemg, “a única solução” para a indústria conseguir manter algum crescimento com o atual patamar da Selic. Até por isso, ressaltou, é importante o banco buscar essa democratização do crédito nas MPMEs.
“Antigamente era um crédito muito restrito a grandes empresas pela dificuldade, pela burocracia de se ter acesso, e hoje está vindo uma visão de aproximar dos pequenos e dos médios, porque os grandes já sabiam como acessá-lo. Não é que tinham uma preferência, mas que tinham uma qualidade técnica de poder atingir e, agora não, o volume do dinheiro vai ser mais democraticamente dividido por mais setores da indústria”, analisou.
Apoio do BNDES em Minas cresce 78,6%
O presidente do BNDES também apresentou um balanço da atuação do Banco no estado. De janeiro de 2023 ao primeiro trimestre de 2026, o BNDES aprovou R$ 59,3 bilhões para Minas Gerais, volume 78,6% superior aos R$ 33,2 bilhões aprovados entre 2019 e 2022. Na média anual, o crescimento foi mais expressivo: as aprovações passaram de R$ 8,3 bilhões por ano, no período anterior, para R$ 18,2 bilhões por ano desde 2023, alta de 119,3%.
Na indústria, a média anual de crédito aprovado pelo BNDES passou de R$ 1,2 bilhão para R$ 3,8 bilhões, alta de 216,7%. No acumulado, as aprovações para o setor cresceram de cerca de R$ 4,8 bilhões, entre 2019 e 2022, para aproximadamente R$ 12,4 bilhões de 2023 ao primeiro trimestre de 2026.
Na agropecuária, a média anual de aprovações do banco de desenvolvimento passou de R$ 2 bilhões, entre 2019 e 2022, para R$ 5,1 bilhões, de 2023 ao primeiro trimestre de 2026, crescimento de 155%. Em valores acumulados, o setor recebeu cerca de R$ 8 bilhões no período anterior e aproximadamente R$ 16,6 bilhões desde 2023.
Em comércio e serviços, a média anual de aprovações do BNDES subiu de R$ 1,5 bilhão para R$ 4 bilhões, crescimento de 166,7%. O volume acumulado passou de cerca de R$ 6 bilhões para aproximadamente R$ 13 bilhões.
Já em infraestrutura, a média anual avançou de R$ 3,7 bilhões para R$ 5,1 bilhões, alta de 37,8%, com volume acumulado de cerca de R$ 14,8 bilhões no período de 2019 a 2022 e de aproximadamente R$ 16,6 bilhões desde 2023.
O BNDES também voltou a apoiar projetos estratégicos para o setor público em Minas Gerais. As aprovações para esse segmento passaram de R$ 110 milhões, entre 2019 e 2022, para R$ 1,43 bilhão de 2023 ao primeiro trimestre de 2026. Na média anual, o salto foi de R$ 27,5 milhões para cerca de R$ 439 milhões.
Com informações de O Tempo
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