Fim da escala 6×1: uma conta que o comércio não pode pagar
*Por Frank Sinatra Chaves – Presidente da FCDL-MG
Muito me preocupam as últimas tramitações que pretendem pôr fim à escala 6×1. Essa proposta, disfarçada de modernização, é na verdade um ataque frontal ao comércio de bens e serviços, ao emprego e ao desenvolvimento do Brasil.
Os números falam por si: estudos recentes apontam que a substituição da jornada 6×1 por modelos como o 5×2 elevaria em 21% a folha salarial, o que significa um impacto de R$ 122,4 bilhões por ano. Esse custo não é absorvível pelas empresas, sobretudo as pequenas e médias, que já lutam diariamente contra a carga tributária sufocante e a burocracia excessiva.
Estamos falando de 31,5 milhões de trabalhadores diretamente afetados. No comércio varejista, 93% dos empregados cumprem jornadas acima de 40 horas semanais. Alterar esse regime sem contrapartida de produtividade é condenar milhares de negócios à falência e milhões de famílias ao desemprego.
E não para por aí: cada 1% de aumento na massa salarial gera, em média, 0,6% de alta nos preços ao consumidor. Se a mudança for integral, poderemos ver até 13% de aumento nos preços em um país onde a renda das famílias já não suporta novos reajustes. Isso é inflacionar artificialmente a economia, punindo o consumidor e fragilizando ainda mais o setor de serviços e, consequentemente, toda a cadeia produtiva.
Supermercados, farmácias, lojas de vestuário e shoppings – pilares do comércio – seriam os primeiros a sentir o impacto. Margens já apertadas ficariam inviáveis, e a competitividade frente a concorrentes internacionais seria destruída. Estimativas apontam queda de até 1,7 ponto percentual na margem EBITDA de grandes redes, o que evidencia o risco sistêmico dessa medida.
Não se trata de negar a importância do descanso e da qualidade de vida do trabalhador. Mas impor mudanças sem diálogo, sem transição e sem considerar os impactos econômicos é um ato de irresponsabilidade política. O discurso fácil de “mais folgas” não pode esconder o efeito devastador sobre empresas, empregos e preços.
O comércio mineiro e brasileiro não é inimigo do trabalhador. É o setor que mais gera empregos formais no país. Mas não podemos aceitar medidas que fragilizem nossas empresas, aumentem custos e coloquem em risco o futuro de milhões de famílias.
Coloco aqui a minha indignação e repúdio, pois não aceitaremos o fim da escala 6×1. Defendemos diálogo responsável, adoção gradual de mudanças e políticas que conciliem direitos com sustentabilidade. O Brasil precisa de equilíbrio, não de ações com intenções ocultas que ameaçam a nossa economia.
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